Opinião de um jornalista recém formado, conhecido meu, que soube detectar com clareza o “antes” e o “depois”…
Eu, particularmente, nunca fui contra nem a favor do diploma. E vejo lógica nas justificativas dos juízes.
Reivindicar a obrigatoriedade do diploma é como aquele marido que chega em casa mais cedo, encontra o amante da esposa atrás da cortina e põe fogo no tecido para resolver a questão. Na verdade, há um histórico de omissão e “Lei de Gerson” na profissão.
Primeiramente, não há qualquer controle de qualidade em relação àqueles que se formam no curso. Não há uma prova como a da OAB, por exemplo. Ou seja, há jornalistas no mercado incapazes de escrever uma linha de texto com o mínimo de coerência. E, acredite, estes são os profissionais com mais oportunidades no mercado atual, já que, à maioria dos patrões, falta discernimento para diferenciar os competentes. Então, uma vez contratados os incompetentes, estes tratam de contratar outros ainda mais desqualificados. Assim, preservam os próprios empregos sem concorrência. Logo, temos uma profissão que segue o critério do “quanto pior, melhor”.
Para dar uma idéia da situação, eu me formei com um cantor de funk e trabalhei com um ex-pagodeiro, além de uma presidente de fã-clube do Alexandre Pires. Deduza daí os níveis cultural e intelectual dos nossos diplomados.
Em relação à ética, é comum vermos jornais de um jornalista só, feitos apenas com releases, recebendo publicidade oficial para rodar com uma tiragem mínima. Há também aqueles que publicam seguidas matérias elogiosas a políticos ou empresas e, em seguida, tornam-se assessores destes. Sem falar dos já tradicionais deturpadores de informações. E aí, cadê um conselho de jornalismo para julgar isso?
Eu gostaria que o diploma fosse obrigatório para o exercício da profissão e que somente fosse concedido àqueles que tivessem mínimas condições técnicas para a função. Depois, que a categoria controlasse e punisse os que faltassem com a ética. Mas, como, ao longo dos anos, nada disso esteve nos planos, resta torcer para que esta “abertura” traga pessoas mais qualificadas à área de comunicação.
Enfim, por mim, não precisa lamentar.
falou e disse.
Por: Lini em junho 22, 2009
às 14:29